De todas aquelas sensações breves e refrescantes que se tem na vida...
Quem sabe o estalar de traques de massa. Daqueles branquinhos que se vendia com pó de serra dentro das caixinhas. Bons tempos aqueles. Quando jogavam mãos cheias aos pés das moças de saias remendadas na lapinha. Pulinhos! Ah! Os pulinhos... As calcinhas. E a correria depois. Fugir das enraivecidas a gritar: moleques danados!!!
Ou quem sabe... aquela sensação de ar fresco. Alargar as narinas. Quem sabe aquela brisa de estrada a 200km de alguma capital. Eucaliptos plantados a beira da estrada, as pontinhas das árvores a picotar o horizonte com nuvens altas. O cheiro refrescante carregado pelo vento úmido e salgado do litoral, que não se pode ver, mas pode-se sentir. O sal no ar, os coqueiros por perto.
Ou então descer a ladeira de paralelepípedos de bicicleta. O tremor na direção. Sem pedalar, sem se preocupar que a ladeira acaba. E ver o horizonte esconder-se nos telhados das casas. Sentir o nariz cortar o vento, ouvir o som das rodas contra as catracas sem rotação.
Quem sabe... Estar na orla em chuva de verão. Enumeras gotas fortes que atingem a face. Ventos a mudar de direção suaves agulhas d’água, a pinicar geladas o calor do relevo que se transforma. E muda tudo, as copas das árvores, a areia da praia, o reflexo do mar. A chuva logo acaba. Mas de resto o arco-íres e o cheiro da terra molhada fazem lembrar que choveu.
Quem sabe... escutar um sábio falar provérbios da cultura oriental. Os quatro elementos: terra, ar, água, fogo e todas aquelas histórias e lendas. Como aquela em que a montanha tem ciúmes quando o vento leva a chuva pra dançar... Ao som daqueles tambores enormes a batucar. Todo aquele papo que nunca entendemos perfeitamente, mas adoramos escutar. As palavras que travam a língua:In, Yang, Ki, Sashimi, Watashi... Wasaby ...
Quem sabe... sashimi com wasabi.
Escrito por Mafalda e Homem-Catraca às 23h18
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