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Eu roubei Nietzsche... que se fôda a ética. Roubei mesmo. E como isso vai ser publicado na internete, eu quero mais é que roubem de mim também. Eu quebrei o paradigma da existência dual. Quebrei observador e objeto. Para mim não é mais uma experiência de separatividade. È simplesmente loucura, bebedeira. Talvez a palavra separatividade nem exista!
Roubei o apego. Eu era só “distante de tudo que via”. E tudo que meu olho podia contemplar, era só uma manifestação medíocre do meu repertório-zinho chinfrim, repertório de pretenso homem contemporâneo. Some a isso duas cervejas.
Interpretações à parte, eu me considero muito pouco contemporâneo. Mas como a contemporaneidade é provinciana, eu roubo. Não tenho nada a perder. Nem a mim mesmo. Já estou perdido. Roubei porque estava cansado do que tinha. Roubei a visão de mundo do Nietzsche e de outros mais. Roubei todas as visões de mundo e vultos históricos da forma mais duvidosa. E assim comecei minha carreira de ladrão filosófico.
Começando pelos mais interessantes (com apelo sexual e psicodélico) chegando até o transcendental. Tudo influência do álcool.
Pior!!! Após tanto roubar, além não constituir, em absoluto, nenhum grande valor. Eu desagregava (não haveria maneira mais sem vergonha) desmantelava todas as minhas outras idéias tão cuidadosamente roubadas. Mas que merda! Roubara algo que desmantelava todo o fruto de uma carreira de furtos sem sentido. Nietzsche F.D.P.! Nunca mais roubo você!
Roubei o desapego, a fleuma, a imparcialidade. Tudo que olho e foi roubado foi transformado numa galeria de pré-concepções banais e nada contemplativas... de que adiantou roubar? De que adianta não roubar.
Enfim... concluo... eu estou bêbado! Bendito movimento surrealista! Agente acaba chegando em casa ao amanhecer e, ainda bêbado, acaba escrevendo o que quer.
Escrito por Mafalda e Homem-Catraca às 04h33
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