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-Veja bem senhor prefeito, já que há oportunidade, vou lhe mostrar o que há com a praça. A meu ver...
Um prefeito de um município sem importância conversava com uma pessoa ciente dos seus deveres de cidadã. Qualquer cidadão dificilmente seria cordial ao demonstrar, ao ar livre, em plena praça principal da cidade, a sujeira e abandono da administração pública numa conversa cara-a-cara. Difícil, mas manteve a calma.
-Veja aqueles telefones públicos depredados, os entulhos e restos de folhetos de campanha pelo chão, os bancos de madeira da praça lascados, alguns nem existem mais estão desmontados e lascados no chão...
- Uhun... Aonde? Ah! Ali. Estou vendo...
Explicava pra o prefeito, pessoalmente, bem bonitinho, que quer ver a praça limpa arborizada, com policiamento... O que se passava na cabeça do prefeito? Está certo que cada cabeça é um mundo. O coitado do prefeito, diante de cidadão tão paciente, teve seu mundo levemente imerso num dilema moral. Dilemas morais geralmente são prolixos, portanto...
-Digo todo dia a minha filha para não passar por aqui a noite, pois não há iluminação nem polícia por perto.
- Anram... Digo a minha também quando o motorista não pode buscá-la.
Digamos que o coitado do prefeito tinha a verba para ajeitar a praça. Mas gastou tudo com uma obra superfaturada terceirizada pela empresa de um ricaço influente. Com quem o prefeito negociou tudo quando era um simples cidadão com terceiro grau completo querendo ser “ALGUÈM”. Não se incomodava em fazer negociata, pois dentro da gama de crimes cometidos no Brasil, este não é um crime lá muito hediondo para despertar a atenção da polícia. A idéia de duma cela especial nem lhe passava pela cabeça.
-Entendo suas preocupações meu caro eleitor...
Aceitou negociar porquê não tinha medo de ser descoberto. Não tinha medo de ser descoberto porquê não tinha medo do escândalo. Não tinha medo do escândalo porquê o “povão” não lê jornal. Porquê a sela é especial. Porquê tem muito ladrão com primeiro grau incompleto para deixar a polícia ocupada (e lotar penitenciárias comuns). Porquê tem mais medo de rejeitar o acordo e por a vida de sua família em risco. Pois ele sabe que o fdp empresário capitalista que financiou sua campanha é mandante de assassinatos misteriosos e tem dinheiro para safar-se das penas de crimes hediondos (mesmo os inafiançáveis).
Porque prefere ver o filho envergonhar-se do crime do pai ao vê-lo morto pela honestidade do pai. Porque ele acredita que mesmo optando pela ética existiram outros, com terceiro grau completo e etc, para negociar e ser prefeito no lugar dele. Portanto o prefeito precisava mentir convincente:
-A prefeitura não tem verba!
- E os impostos que pago?
O prefeito dá os ombros e... depois as costas. O cidadão cata do chão uma aste de pau no meio dos entulhos da praça. Desfere um golpe com toda a raiva que mantinha presa durante suas explicações.
-Olha lá!!! O cara desceu o pau na cabeça do prefeito!!!
O cidadão foi domado pela polícia imediatamente. Algemado com extrema violência. Flagrante de agressão. Levado preso. O cidadão não tinha terceiro grau completo.
Escrito por Mafalda e Homem-Catraca às 22h25
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