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Agora é sério!
(...)Nesta quinta-feira (28/04), no Pentágono, a Marvel Comics apresentará uma revista em quadrinhos que será distribuída gratuitamente em maio para as forças americanas no Iraque e ao redor do mundo. Apresentando os Vingadores, Quarteto Fantástico, Homem-Aranha e outros heróis da Marvel, a revista terá uma tiragem de 1 milhão de exemplares. As primeiras 150 mil cópias irão para os soldados no Oriente Médio. "Nós não vamos vendê-las. Estas são para as tropas", disse Jeff Klein, um porta-voz da Marvel.(...)
David Colton
USA Today

Mandaram o quarteto fantástico dominar o oriente em pé de guerra. O Wolverine vai estripar os mulçumanos anti-americanos, os vingadores chegaram pra abocanhar uma fatia nova de leitores. Quem duvida da intenção de dominar por completo o Iraque? A coisa é pra valer, com direito a super-homem, capitão América e o escambal.
Na minha opinião, não existe meio mais eficiente de comunicação entre receptores de línguas diferentes. Já que os meios para o entendimento (leitura de palavras, imagens, sensações ruidosas) são diversos. A sedução das imagens, roupas corpos heróicos para um adolescente, até para um adulto, é poderosíssima. Mas o que me preocupa é o enredo, o roteiro, que mensagens viajarão nestas folhas? O de sempre... super-heróis americanos contra o que não é América. O que inclui, além de mutantes da legião do mal, terroristas estrangeiros e extraterrestres. A paz passa longe do enredo. E com certeza, passará também à distancia das mentes leitoras das tropas americanas.
Engana-se quem pensar que o público alvo seja apenas o corpo militar. Estas revistas vão circular de graça pelo Iraque chegando em mãos de crianças e adolescentes iraquianos. Sou fã da arte seqüencial e isto é demais pra minha cabeça. Já não gostava da participação das comics na segunda guerra, e da maneira que a linguagem foi rebaixada como subterfúgio barato para dominação cultural. Naquela época lutava-se pelo reconhecimento como veículo de expressão criativa, ou como arte de comunicação e não apenas uma aplicação da arte. Depois de tanto esforço, e de certo reconhecimento adquirido, vem um americano empresário capitalista filadaputa pra enxergar na potencialidade comunicativa dos quadrinhos uma maneira mais criativa de dominar o mundo.
Já se estipula quanto esses exemplares valeriam como itens de colecionador. Os valores não são baixos (coisa espantosa para um gibi que ainda não foi sequer impresso). Espero que este acontecimento não venha a denegrir a imagem de um meio com tanto potencial para educação. Tenho esperanças que a maioria dos jovens não encare a guerra e a ação militar como enredo básico das histórias em quadrinhos.
Escrito por Mafalda e Homem-Catraca às 15h42
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