Votar, ou não votar nulo?

Quando a sua mãe te ordena, sob pena de chineladas, a pedir desculpas para o sujeito que te atazanou tanto, a ponto de merecer aquele murro na cara... você pede? É claro que pede! Pede com aquele olhar de quem diz: cruze meu caminho de novo seu fdp que eu te arrebento outra vez. Faz, mas com relutância, com mau gosto.
Não tiro a razão de quem faz campanha pelo voto nulo. Acredito que a nulidade do voto represente o olhar da criança injustiçada quando é obrigada a fazer sem merecer. Ninguém merece escolher entre chibatadas ou impostos, entre déficit da balança comercial ou FMI.
Mesmo que pareça genérico demais, ainda acho que tudo é uma questão matemática. Meu professor de religião no ginásio costumava me dizer que matemática é pura ganância. Contar quanto se tem, quanto tem a mais que os outros. Não tenho esta visão, acho que a matemática é muito mais. Porém as coisas caminham nesse rumo desde o excedente da produção agrícola há alguns milênios atrás. No caso do voto, isso se reflete em quantas pessoas votariam nulo. Quantas a mais que estas votariam em alguém.
Esta nova matemática que alguns chamam de estatística e outros de enrolação, torna toda esta baboseira possível. Bastaria a simples liberação da obrigatoriedade do voto. Quem não quer fazer parte da palhaçada não faz. Pra que querer saber quantos não querem fazer parte? Pra saber o que todos já sabem? Que nosso sistema político e falho? Porque eu acho que nem isso a estatística vai poder comprovar. Muita gente não quer fazer parte e vota no “menos pior”. Outros votam no que a mãe ou o tio vota.
Sem a obrigação do voto, o país descobriria um número extremamente superior a qualquer estimativa estatística com desvio de erro e o escambal. O voto nulo teria um valor muito mais expressivo. O cara não é obrigado a votar, mas sai de casa pra dizer que não aceita o sistema de votos, ou então vota nulo só pra exercitar seu direito de se declarar anárquico. E mesmo assim as velhinhas que erraram na hora de digitar na urna, os que votam no Branco porque jogou bem na copa de 90, e os bêbados (sim... tem gente que vota bêbada... eu já vi) ainda dariam substancial relevância ao desvio estatístico de erro numa eleição cujo voto não fosse obrigatório.
Se eu voto nulo? Eu não! Eu prefiro fazer parte da fatia do gráfico das pessoas que aproveitam o desvio legal para tirar o corpo fora. Eu voto em trânsito. Assim protesto contra a burocracia que safa muita gente eleita. Faço que nem a caricatura do Malufinho no Zorra Total. Eu não to nem aqui!
Escrito por Mafalda e Homem-Catraca às 00h09
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